Quero compartilhar algumas das coisas que aprendi na vida sobre o judaísmo

Nunca se sinta envergonhado por ser judeu. nosso povo sobreviveu por tanto tempo e contribuiu de tal forma para o progresso e bem- estar da humanidade, que você deve encarar o fato de ser judeu como uma honra e responsabilidade.

Há aqueles que só querem enxergar o judaísmo olhando para baixo – e eles sempre fizeram assim. Portanto, ande sempre aprumado e ereto, de modo que para ver sua face eles tenham de olhar para cima.

Nunca comprometa seus princípios por causa dos outros. Nunca faça isso com relação à cashrut ou qualquer outra prática judaica pelo fato de estar entre não-judeus ou perante judeus não religiosos. Os não-judeus respeitam os judeus que respeitam o judaísmo. Eles ficam envergonhados perante judeus que se envergonham do judaísmo.

Nunca olhe os outros de cima para baixo. Jamais chegue a pensar que ser judeu significar olhar os gentios desta forma. E nem admita que, por ser um judeu religioso, você tem o direito de olhar com desprezo os judeus não religiosos.

Você não deve pensar assim. O maior de todos os judeus, Moisés, era também, segundo a Torá, “a pessoa mais humilde sobre a face da terra”. Humildade não significa auto rebaixamento. A verdadeira humildade é a habilidade de ver o que há de bom nas outras pessoas sem se preocupar consigo mesmo.

Nunca deixe de estudar. Certa vez, conheci a uma senhora de 103 anos que sempre parecia rejuvenescida. Perguntei qual era seu segredo, e ela respondeu: “nunca receie aprender alguma coisa nova.” Compreendi então que estudar é o verdadeiro teste para reconhecer qual é a nossa idade. Se você continua desejando estudar, você pode ter 103 anos e ainda assim ser jovem; do contrário, pode ser velho mesmo tendo somente 23 anos.

Jamais confunda integridade com “julgar-se íntegro”. Parecem coisas similares, mas na realidade são contrárias. O íntegro enxerga o bem que há nas pessoas; aquele se julga íntegro vê somente o mal.

O íntegro faz você se sentir maior; o outro, menor. O íntegro louva; aquele que se julga íntegro critica. O integro é generoso; aquele se julga íntegro é malévolo e reticente. Uma vez sabendo a diferença, mantenha se distante daquele que se julga um exemplo de integridade e lembre-se que tipos assim podem ser da direita ou da esquerda, religiosos e seculares. Conquiste o respeito das pessoas que você respeita e ignore as demais.

Quando você praticar uma mitsvá, pare e pense atentamente a respeito dela. Cada mitsvá vem para lhe ensinar alguma coisa e é importante fazer uma pausa e refletir: por quê? o judaísmo negligente não é bom para a alma.
Quando você rezar, reflita cuidadosamente acerca do significado das palavras. Lembre-se também que, ao rezar, fazemos parte de um coral sinfônico de quatro mil anos, formado pelas vozes de todos os judeus de todas as nações, que durante os séculos pronunciaram estas palavras. Alguns as pronunciaram envoltos em sofrimento; outros, enfrentando exílio e expulsões, alguns até mesmo em campos de concentração. São palavras santificadas por lágrimas, mas agora as estamos pronunciando em plena liberdade. As preces dos nossos ancestrais chegaram íntegras até nós. Por isto, elas os honram assim como honram a D’us, pois sem elas hoje em dia não seríamos mais judeus, e se não nos tivessem transmitido sua tradição suas esperanças teriam sido em vão.
Não se preocupe se você não pode acompanhar o ritmo da congregação. Uma palavra que vem do fundo do coração é mais significativa do que uma centena delas dita sem compreensão e atenção.
Esteja sempre disposto a compartilhar seu judaísmo. No Shabat e festas judaicas convide pessoas à sua casa. Uma vez por semana, estude com pessoas que sabem menos do que você. A diferença entre os bens materiais e espirituais é a seguinte: quanto mais você compartilha as coisas materiais – como riqueza e poder –, menos sobra para você. Com as espirituais é o contrario: quanto mais você compartilha seus conhecimentos, sua amizade e suas celebrações, mais você passa a ter.
Nunca se impaciente com os detalhes da vida judaica. D’us vive nestes detalhes. O judaísmo é uma poesia das coisas comuns, as coisas que de outra forma nos pareceriam de pouco valor.

A Lei Judaica é a coreografia da vida diária.
D’us vive no espaço que lhe abrimos. Cada mitsvá que praticamos, cada oração que pronunciamos, cada ato de aprendiza do que incorporamos é uma das formas de abrir espaço para ele. by Thais Druker

Rabino Lord Jonathan Sacks

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